Corregedoria-Geral da Justiça promove debate sobre Racismo Estrutural e Institucional no Sistema de Justiça e traz importantes reflexões para o avanço da igualdade racial

Mais de 130 anos da escravatura, sendo considerado o país que mais trouxe da África povos escravizados, o Brasil lembra, na data desta quinta-feira, 13 de maio, o Dia Nacional da Abolição da Escravatura. Ao passo que os livros de história registram a data como um grande acontecimento, a discussão e a luta pela equidade ainda acontecem, no século XXI, no Brasil e em outras partes do mundo.

Registrando a data, a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Tocantins, por meio da Coordenadoria de Cidadania, em parceria com a Escola superior da Magistratura Tocantinense (ESMAT) realizaram, na manhã desta terça-feira (13), o Webinário Racismo Estrutural e Institucional: Diálogos no Sistema de Justiça Tocantinense. O Evento ocorreu na modalidade virtual devido às restrições da pandemia da Covid-19.

Os debates foram abertos pela corregedora-geral da Justiça, desembargadora Etelvina Maria Sampaio Felipe, que lembrou a necessidade não só do Poder Judiciário e Sistema de Justiça, mas de toda a sociedade, de uma ampla discussão e combate ao racismo no País. “Precisamos de abertura para proposição de ações concretas a serem desenvolvidas em todos os segmentos da Justiça e em todos os graus de Jurisdição, como política pública voltada à busca da eliminação das desigualdades raciais, a fim de que o próprio direito e o Sistema de Justiça não sejam utilizados como mecanismos de consolidação e perpetuação das desigualdades e do racismo estrutural”, afirmou.

Em seguida, a juíza Aline Bailão Iglesias, coordenadora da Coordenadoria de Cidadania, ressaltou a importância de se discutir atitudes análogas ao racismo no Judiciário. "Todo o Sistema de Justiça e todas as autoridades e servidores que atuam neste Sistema precisam dialogar sobre o racismo, trocar experiências e adquirir conhecimento científico sobre essa temática. Nós acreditamos que o conhecimento traz o despertar da consciência, o conhecimento pode mudar o mundo”, lembrou.

Coordenadas pelo magistrado José Ribamar Mendes Júnior, as explanações lembraram diversas atitudes e momentos em que o racismo está presente em nosso cotidiano. Na primeira palestra da manhã, a juíza Renata Nascimento e Silva, idealizadora do evento, falou sobre “Racismo Institucional e o Poder Judiciário”. Em sua fala, a magistrada traçou uma linha do tempo de todos os eventos históricos referentes à luta pela erradicação do racismo no Brasil. Na ocasião, a juíza relacionou as diferenças entre racismo estrutural e racismo institucional. “A gente percebe que o racismo estrutural é uma engrenagem que não precisa de nada para continuar rodando. A mera omissão já faz com que essa engrenagem se mantenha viva. E então o racismo institucional entra nisso. O racismo institucional é a reprodução pelas instituições públicas e privadas da hierarquização das pessoas, de acordo com a cor da pele, de acordo com a raça”, frisou.

Representando o Ministério Público Estadual (MPE), a procuradora de justiça, Maria Cotinha Bezerra Pereira, lembrou que já existe Lei no País que pune o agressor por ato de racismo e preconceito referente à cor da pele. “Podemos assumir que atualmente existe o corpus legalis que, em tese, dá visibilidade ao racismo. Existe sim na letra da Lei a visibilidade sobre a questão do racismo e as formas de combatê-lo. Mas eu questiono, e no nosso cotidiano, no nosso dia a dia? Por isso, não devemos nos acanhar, e sim reconhecer e enfrentar o racismo estrutural e institucionalizado nas prisões do Sistema de Justiça Brasileiro. Por derradeiro, importa discutir essa questão de forma a resgatar a identidade do povo brasileiro quando se fala em combate ao racismo, aplicação legislativa, e como as instituições podem contribuir para essa torpeza social, o que se quer é o reconhecimento dos negros”, afirmou.

Em seguida, a defensora pública, Denize Souza Leite, falou sobre os efeitos do racismo e seus efeitos sobre as mulheres negras. "Quando nós falamos em mulheres negras, logo vemos a imagem da empregada doméstica, da vocação para o serviço doméstico. Quando falamos de homens negros automaticamente pensa-se em criminoso, em pouco conhecimento. Já homens brancos são personalidades complexas. As mulheres negras são consideradas pouco capazes porque existe todo um sistema econômico, político e jurídico que perpetua essa condição de subalternidade, mantendo-as com salários baixos, fora dos espaços de decisão e expostas a todo tipo de violência”, afirmou.

Finalizando, o advogado Cristian Trindade Ribas versou sobre Racismo de Estado e o Sistema de Justiça, lembrou que o 13 de Maio, dia em que os livros de história afirmam que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, nos leva aos dias de hoje, a mais uma reflexão do que um contexto histórico. “O racismo, a cor da pele sempre foi e continua sendo um elemento de status de acesso à humanidade e a determinado lugar. A cor da pele ainda é determinante, se certa pessoa pode ser vista, ou não, ou reconhecida em determinado lugar. Toda a nossa sociedade é formada por esses aspectos. O Estado Brasileiro tem o elemento racial, a questão escravocrata na sua gênesis. Por quase 400 anos, pessoas negras não tinham status de humanidade. Esse processo histórico se reproduz e tem efeitos profundos até hoje. Não celebramos o 13 de Maio como uma data comemorativa, mas sim como uma data reflexiva”, disse.

O objetivo do Evento foi despertar e fortalecer a consciência de todos os operadores do Sistema de Justiça Tocantinense quanto à importância do combate e da eliminação das desigualdades raciais, bem assim valorizar a importância e a riqueza de um Judiciário com força na representatividade racial, para então criar e fortalecer espaços de falas institucionalizados com abordagem pluralista e consolidação de políticas públicas que contribuam para a erradicação do racismo e das mais diversas formas de discriminação, além de despertar e motivar todos a estudarem, terem voz ativa e unirem forças, vontade e propósito de igualdades em direitos e deveres.

Com informações da Comunicação da Esmat.


Fechar Menu Responsivo
Fale Conosco Portal Extrajudicial
Rolar para Cima
Nós usamos cookies
Usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, para outras finalidades, conforme especificado na política de cookies. Negá-los poderá tornar os recursos relacionados indisponíveis.