Ele tem 16 anos, cursa o 8º ano e encontra-se acolhido no Estado do Tocantins, desde outubro de 2016. É um menino bastante comunicativo, fácil de fazer amizades, carinhoso e que gosta de jogar futebol. Entre seus maiores sonhos estão ter uma família e ser jogador de futebol profissional. Essa é a descrição do primeiro adolescente do Tocantins a ter seu perfil incluído do aplicativo nacional A.DOT acessado por interessadas e interessados na adoção. A ferramenta virtual possui o objetivo de aumentar a visibilidade das crianças que não têm pretendentes, incentivando principalmente adoções tardias.
A produção das fotos e vídeo foi realizada pelas equipes de Assessoria de Comunicação e Imprensa da Corregedoria-Geral e Escola Superior da Magistratura Tocantinense (ESMAT), orientadas pela coordenadora da Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Estado do Tocantins – CEJA/TO, Ana Mara Carneiro Mourão. O grupo visitou o local onde o adolescente está acolhido, acompanhou e registrou um pouco do seu cotidiano.
“É gratificante pensar que através do A.DOT muitas crianças e adolescentes podem deixar de ser invisíveis, pois nessa perspectiva possibilitada pelo aplicativo, os pretendentes habilitados podem conhecer crianças e adolescentes para adoção mesmo com perfil diferente daquele inicialmente pretendido, uma vez que a maioria dos brasileiros opta pela adoção de crianças com menos de cinco anos de idade”, pontuou a coordenadora da Ceja.
O aplicativo A.DOT está presente em 10 estados, no Tocantins a regulamentação do seu uso foi assinada no mês de maio deste ano, pela corregedora-geral da Justiça, desembargadora Etelvina Maria Sampaio Felipe. Na oportunidade, a magistrada reforçou a importância da ferramenta ressaltando dados levantados no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento os quais apontam que, no Brasil, existem 30.624 crianças e adolescentes em serviços de acolhimento institucional. Deste total, 4.966 estão aptas à adoção e 32.561 pretendentes disponíveis para adotar. “Diante desse desafiador cenário, é necessário sensibilizar a sociedade para a adoção tardia de grupos de irmãos ou de crianças e adolescentes que apresentem alguma condição especial de saúde.”
Criado no Estado do Paraná, o A.DOT tem entre os seus idealizadores o juiz Sérgio Luís Kreuz, em evento do Tocantins sobre adoção, realizado neste ano de 2021, ele reforçou o foco da adoção. “Nós sempre temos de levar em consideração que a adoção está voltada a atender ao interesse da criança e do adolescente, e não dos adultos.”
O primeiro adolescente a ser inserido no aplicativo só foi possível após decisão do juiz Adriano Gomes de Melo Oliveira titular do Juizado Especial da Infância e Juventude de Palmas e que atualmente responde também pela Comarca de Paraíso.
Como o A.DOT funciona
Todos os pretendentes habilitados podem ter acesso ao aplicativo, basta baixar o app no celular ou tablet (A.DOT) e fazer o seu cadastro. Os dados são cruzados com os do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento – SNA e certificados pela Corregedoria-Geral da Justiça, assegurando que apenas os pretendentes inseridos no SNA tenham acesso às fotos e vídeos das crianças disponíveis na ferramenta para adoção.
Adoção no Tocantins
No Tocantins a adoção de crianças e adolescentes é acompanhada pela Corregedoria-Geral da Justiça, por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Tocantins (Ceja-TO), órgão responsável pela gestão do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento - SNA. Dados da Comissão levantados nesta segunda-feira (22/9) apontam que atualmente o Estado possui 155 processos de adoção legalmente formados em andamento. Outras 13 crianças e adolescentes aguardam por uma família, todos têm idade a partir de 9 anos.
Kézia Reis – Ascom CGJUS-TO