“Falar em autonomia e protagonismo é reconhecer a pessoa idosa com as suas histórias, experiências, desejos e projetos próprios, que devem ser respeitados e valorizados.” A reflexão do corregedor-geral da Justiça, desembargador Pedro Nelson de Miranda Coutinho, marcou a abertura do IV Seminário da Pessoa Idosa, realizada nesta sexta-feira (2/10), em Palmas.
Promovido pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJUS), em parceria com a Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), o seminário reúne magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), profissionais, colaboradores(as), representantes de órgãos parceiros e a comunidade para discutir direitos, participação social e diferentes formas de vivenciar o envelhecimento.
Com o tema “Autonomia e Protagonismo: Construindo Novos Sentidos para o Envelhecer”, a programação propõe uma reflexão sobre o lugar da pessoa idosa na sociedade e a importância de garantir o respeito às suas escolhas, à sua participação e à sua autonomia.
Durante sua fala, o magistrado ainda destacou que reconhecer a autonomia da pessoa idosa também significa compreender que proteção e cuidado não devem retirar dela o direito de decidir sobre a própria vida, “Proteger não significa substituir escolhas, mas criar condições para que essas escolhas possam ser exercidas com dignidade e segurança”, disse.

Participando do evento, a aposentada Alice da Costa Neto, de 74 anos, falou sobre a importância de manter-se ativa e protagonista das próprias escolhas. Para ela, envelhecer também significa continuar vivendo, movimentando e encontrando novas formas de cuidar de si,
“Eu não gosto de ficar parada. A gente precisa se movimentar, caminhar, fazer exercício e cuidar da gente. Envelhecer não significa deixar de viver ou depender dos outros para tudo. A gente tem que continuar sendo protagonista da nossa própria história, fazendo aquilo que gosta e cuidando da nossa saúde e da nossa vida,” concluiu.
Um novo olhar sobre o envelhecimento
Representando a presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, a desembargadora Ângela Issa Haonat destacou que a escolha do tema acompanha uma mudança na forma de compreender a pessoa idosa e sua participação na sociedade.

“É muito significativo que, neste ano, a programação tenha escolhido colocar no centro da discussão duas palavras fundamentais: autonomia e protagonismo. Até pouco tempo, isso estava em uma realidade muito distante, porque assistíamos sempre, e talvez fosse mais fácil para o familiar, o papel de substituto da pessoa idosa. Isso já não tem mais lugar na nossa sociedade, que evolui em vários aspectos,” afirmou a magistrada.
Envelhecer é viver

Coordenador da Cidadania da Corregedoria-Geral da Justiça e do IV Seminário da Pessoa Idosa, o juiz Márcio Soares da Cunha destacou que a programação busca apresentar diferentes perspectivas sobre o envelhecimento e valorizar as histórias, necessidades e projetos de cada pessoa.
“A mensagem principal do seminário é que o envelhecimento não deve ser visto como um problema. Envelhecer é viver. Cada pessoa envelhece de uma maneira diferente e possui sua própria história, seus desejos, suas necessidades e seus projetos”, pontuou.
Para o magistrado, discutir o tema a partir das particularidades de cada pessoa contribui para ampliar a compreensão sobre os direitos da população idosa e evitar uma visão única sobre essa etapa da vida.