Exposição reúne quase 90 trabalhos de graduação e pós-graduação no XVIII Congresso Internacional em Direitos Humanos

Fotos: Ednan Cavalcanti/Esmat

O Hall de Entrada do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) se transformou, nesta quinta-feira (13/11), em um corredor pulsante de ciência e produção acadêmica. Das 9 às 17 horas, quase 90 trabalhos de graduação e pós-graduação de diversas universidades foram apresentados em formato de painéis, dentro da programação do XVIII Congresso Internacional em Direitos Humanos, que segue até esta sexta-feira (14/11).

O espaço, movimentado desde as primeiras horas da manhã, recebeu mais de 44 pesquisas apenas no primeiro turno. Todos são trabalhos interdisciplinares e alinhados a temáticas que tangenciam direitos humanos, tecnologia, justiça, vulnerabilidades sociais, políticas públicas e cidadania.

De acordo com o coordenador da atividade, professor Gustavo Pascoal (Programa de Pós-Graduação em Prestação Jurisdicional e Direitos Humanos – UFT/Esmat), a mostra ocorre todos os anos, mas 2025 traz uma novidade, que é a abertura de uma categoria exclusiva para estudantes de pós-graduação. “Somando graduação e pós, chegamos a cerca de 90 trabalhos. Pela manhã, são 45 apresentações e teremos outras 45 no período da tarde, com pesquisas diferentes”, explicou.

Para muitos alunos, esse marca o primeiro contato com um congresso internacional; para outros, representa a oportunidade de consolidar temas emergentes e dialogar com diferentes áreas do conhecimento.

Ética, tecnologia e Justiça

Entre os trabalhos da mostra está o do servidor do Judiciário do Tocantins e mestrando da UFT/Esmat, Paulo Everton Silva Lima, que apresentou a pesquisa “A Governança Ética da Inteligência Artificial no Poder Judiciário: análise do artigo 10 da Resolução 615 do CNJ”. Ele explica que a resolução, publicada em setembro de 2025, surge para estabelecer parâmetros claros de uso da IA no Judiciário em um cenário nacional ainda sem legislação específica.

Segundo Paulo, o CNJ reforça que nenhuma inteligência artificial pode substituir a análise humana em aspectos sensíveis. “Lidamos com pessoas. A preocupação é que a IA não seja usada para delegar julgamentos ou análises subjetivas. O imperativo categórico nos lembra que o ser humano é fim, não meio. A resolução é atual e a discussão está muito em voga”, afirma.

Na imagem, estudante usa camisa clara e crachá azul do Poder Judiciário enquanto aponta para um pôster científico exposto em painel vertical. O pôster apresenta texto extenso sobre direitos humanos e inteligência artificial, com o logo do XVIII Congresso Internacional em Direitos Humanos ao topo. Ao fundo, há pessoas circulando pelo hall e uma parede com revestimento cerâmico.parentes.

 “É enriquecedor trazer um tema tão atual e perceber como esse debate atravessa o cotidiano do Judiciário e dos direitos humanos. Depois da Covid-19, acho que nada toca tanto o mundo inteiro quanto a inteligência artificial.”

Reconhecimento facial e direitos humanos

As estudantes Evelyn Vitória (6º período de Engenharia de Software) e Emily Ferreira de Souza (5º período de Psicologia), da Unicatólica, apresentaram o estudo: “Os riscos de violação dos direitos humanos em sistemas de reconhecimento facial”.

A imagem mostra três jovens conversando em frente a um pôster científico exposto no XVIII Congresso Internacional em Direitos Humanos. Duas delas, de frente para a câmera, usam crachá e estão posicionadas ao lado do painel intitulado “Os riscos de violação dos direitos humanos em sistemas de reconhecimento facial”.

A pesquisa analisou 15 artigos, nove de Direito, quatro de Tecnologia e dois de Ciências Sociais, e concluiu que o reconhecimento facial, embora cada vez mais utilizado, pode gerar erros graves, sobretudo contra pessoas negras. “Elas são presas indevidamente porque o sistema as reconhece errado. Falta regulamentação, falta fiscalização. A tecnologia existe, mas precisa de regras mais éticas e transparentes”, apontam.

 

Artesanato e ressocialização feminina

Do Centro Universitário Unitop, as estudantes de Direito Vitória Rafaela Lopes Tavares e Sarah Lohani apresentaram o trabalho: “O papel do artesanato como instrumento de resocialização e remissão de penas para mulheres da Unidade Penal Feminina de Palmas”.

A pesquisa constatou que o artesanato é prática presente e gera remissão de pena para 51 mulheres que estão na unidade, que a atividade tem função socializadora reconhecida, mas depende exclusivamente de doações de familiares e instituições, o que cria instabilidade.

A foto mostra duas jovens posando ao lado de um pôster científico exposto no XVIII Congresso Internacional em Direitos Humanos. Elas sorriem e apontam para o painel, que apresenta uma pesquisa sobre o papel do artesanato na ressocialização de mulheres na Unidade Penal Feminina de Palmas.

“É desafiador, mas muito inspirador estar aqui. É nossa primeira apresentação em um evento tão grande, e ver tantas pesquisas acontecendo ao mesmo tempo é motivador”, disseram.

Avaliação, seleção e premiação

Os trabalhos foram previamente avaliados a partir de critérios publicados em edital (resumo expandido, materiais e métodos, resultados, discussão, conclusão e referências) e todos contam com orientação docente.

A seleção final será divulgada nesta sexta-feira (14/11), quando os autores classificados em 1º, 2º e 3º lugares em cada categoria receberão premiação durante a programação oficial do congresso.


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